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CONCERTO

FABIO ZANON VIOLÃO

13 JUL, SÁBADO, 11H

SALA DO PORÃO

Fabio Zanon lança, com este recital, o 2º volume de sua projetada série de gravações de Música Espanhola, dando continuidade ao êxito do volume 1, que trouxe obras favoritas de Albéniz, Granados e Malats.
É impossível dissociar a cultura espanhola do violão. É o instrumento que define a maioria de suas manifestações folclóricas e populares. No século XIX, os românticos criaram a potente imagem do cigano, livre de amarras sociais, vagando pelo país com a guitarra em punho. Essa imagem foi potencializada pelo cinema a partir dos anos 1920 e 30.

Estas décadas viram também a ascensão fulminante do grande violonista espanhol Andrés Segovia. Não é exagero dizer que ele inventou a possibilidade de uma carreira internacional para o violonista moderno. O que antes era somente um sonho romântico tornou-se uma das forças da música do século XX. Depois de passar a década de 1910 experimentando a recepção do público dentro da Espanha, Segovia tornou-se uma celebridade de alcance mundial a partir de seus recitais em Paris em 1923. A este ponto, ele já havia percebido que precisava de música nova de qualidade para defender a causa do violão em concerto, já que o repertório histórico lhe parecia bastante limitado. Ele arregaçou as mangas e começou a abordar compositores consagrados – ou nem tanto - a escreverem obras originais para violão. É o primeiro momento na história em que não-violonistas escrevem solos de violão.
 
Dentro da Espanha, os primeiros compositores a atenderem seus pedidos foram justamente Moreno Torroba – com sua Suite Castellana -, Arregui, ambos madrilenhos, e Turina, oriundo de Sevilha. Turina já era, ao lado de Falla, reconhecido como um dos maiores compositores modernos espanhóis; Torroba era um jovem promissor que, nos próximos vinte anos tornar-se-ia uma das figuras mais poderosas dentro da música espanhola, graças ao sucesso de suas zarzuelas (peças de teatro musical sobre temas espanhóis); Arregui, já um decano, viria a falecer ainda na década de 1920.
Essas obras, escritas entre 1920 e 1935 aproximadamente, praticamente cristalizaram, para o público do mundo todo, a sonoridade espanhola do violão clássico. Sua popularidade perene confirma as expectativas dos ouvintes de ouvir uma música leve, ágil, dançante, melodiosa, em Torroba e Arregui, e intensa, selvagem e lamentosa no caso de Turina. É praticamente o cartão-postal musical da guitarra clássica espanhola.
 
Porém, essa atmosfera festiva e autoconfiante não nos deve fazer esquecer que estes compositores dançavam à beira de um vulcão. O início da década de 1930 fermentava as opiniões políticas fortemente polarizadas que culminariam na Guerra Civil Espanhola entre 1936 e 39, que não só matou milhões de espanhóis e lançou o país na periferia cultural europeia, mas dizimou a classe artística, que teve de emigrar ou defender-se no conformismo. As obras deste recital ganham, assim, um contorno um tanto sinistro, se ouvidas contra esse pano de fundo político. 

PROGRAMA
 
FEDERICO MORENO TORROBA 
Suite Castellana
- Fandanguillo
- Arada
- Danza
 
VICENTE ARREGUI 
Piezas Liricas 
- Confidencia
- Intermedio
- Campesina
 
FEDERICO MORENO TORROBA 
Piezas Caracteristicas
- Preambulo
- Oliveras
- Melodia
- Los Mayos
- Panorama
                                                       
JOAQUIN TURINA 
Fandanguillo, op. 36 
              
Sevillana, op.29
   
FEDERICO MORENO TORROBA 
Sonatina
- Allegretto
- Andante
- Allegro

Fabio Zanon é um dos artistas brasileiros de maior prestígio internacional. É aclamado por interpretações que combinam imaginação, integridade e uma poderosa sonoridade. Suas atividades como regente, educador e difusor da música clássica têm contribuído para colocar o violão clássico numa perspectiva cultural mais ampla.

Vencedor dos maiores concursos internacionais de violão, como o GFA nos EUA, o Francisco Tárrega na Espanha e Alessandria na Itália, Fabio já se apresentou em mais de 50 países, em salas como o Royal Festival Hall em Londres, Philharmonie em Berlim, Sala Tchaikovsky em Moscou e Concertgebouw em Amsterdã, junto a orquestras como a Filarmônica de Londres, Orquestra Estatal Russa, Berliner Camerata, Orquestra de Câmara de Israel e Sinfônica da Rádio de Dublin.

Seu repertório inclui mais de 40 concertos para violão e orquestra, muitos dos quais tocados em estreia mundial, e dedica-se com afinco à música de câmara, em uma enorme variedade de combinações e gêneros.

É autor do livro Villa-Lobos. Concebeu e apresentou os programas A Arte do Violão e O Violão Brasileiro, na Rádio Cultura em São Paulo, e o podcast Lira.

Fabio é professor e Fellow da Royal Academy of Music em Londres e coordenador artístico e pedagógico do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

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